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segunda-feira, fevereiro 18, 2013

*Transmontanismo* - Parte II

A pedido de algumas famílias e ao sucesso do primeiro post sobre palavras transmontanas, decidi escrever um seguimento de novas palavras que tenho ouvido, aprendido e assimilado no meu vocabulário. Então aqui fica mais uma listinha dessas palavras. Espero que gostem tanto como a primeira.


Testo: (não confundir com testa) muito parecido com teto, mas nada tem a ver com isso. Este nome atribui-se às tampas das panelas, por isso, se vier a trás os montes e lhe pedirem um testo é porque certamente andará alguma tampa perdida algures.



Escarolado/a: alguém que anda bem vestido/a ou muito limpinho/a.



Tchicha: a tão famosa palavra que define um verdadeiro transmontano. E nada de dizer "chicha" sem o T, caso contrário, vai ser olhado de lado. Tudo aquilo que seja carne, resume-se a tchicha, porque posta é Posta!



Meotes: A primeira vez que ouvi isto, fiquei muito séria, porque me pareceu uma palavra um pouco agressiva, até ficar a saber que não passavam de pares de meias!



Trouses: E ao contrário dos meotes, que me meteu medo, esta palavra simplesmente me fez rir até rebolar no chão, principalmente depois de saber que se referiam aos boxers masculinos. Uma versão um pouco apaneleirada da palavra inglesa "trousers".



Olhapudo: É alguém muito guloso ou que come muito. Muitas vezes usa-se para as crianças que, mesmo sem comer, comem com os olhos.



Cruzetas: Quase que andei à pancada por causa desta maldita palavra. Não é nada mais, nada menos que os chamados cabides para pendurar a roupa no roupeiro. Isto porque os Cabides, nesta terra, afinal são aqueles pés altos ao lado da porta para pendurar os casacos!



Amarrar: Só esta palavra dava para criar um dicionário de sinónimos. Pode ser usada como sinónimo de apertar, baixar, apagar... e sabe deus o que mais! Usada em expressões como "Amarrar o lume", "Amarrar a saca", "Amarrar a camisa"... Nesta terra amarra-se tudo!



Amanhar: Normalmente só se usa para o peixe, mas esta é outra das palavras que serve para todos os casos e efeitos que tenham a ver com o quotidiano. "Amanha as calças", "Amanha a janela", "Ter a vida amanhada".



-» "Chegar a roupa ao pêlo": um conselho, se ouvirem alguém dizer isto, corram e desapareçam depressa. Basicamente é uma forma simpática de alguém muito nervoso ameaçar com uma bela porrada!



Atremoços: uma forma mais... bom... estranha... de dizer tremoços.



Carreta: nome para os carrinhos de mão.



-» "Disso": do verbo dizer, "eu disse", ele"disso"... não há nada que enganar!



-» "Fizo": o mesmo se aplica ao verbo fazer "eu fiz", "ele fizo"... tudo para não haver misturas nem duvidas que foram eles!



-» "Quizo": novamente para não haver confusões, "Eu quiz", "Ele quizo"!



Lúzios: se lhe disserem que tem uns lúzios muito bonitos, não leve a mal, simplesmente lhe estão a gabar os seus olhos.



Trai: Esta pode trair muita gente quanto ao seu sentido e significado HAHAHA. Basicamente vem do verbo trazer, "Trai os panos para lavar".



Pinga: Associada à bebida, tanto pode ser uma "pinga de vinho" como uma "pinga de água", mas quando se trata da verdadeira e única Pinga é porque a borracheira foi forte!

sexta-feira, abril 27, 2012

Centros Comerciais

Acreditem que se quiserem, principalmente os meninos, mas se há coisa que eu realmente detesto, evito e abomino, são centros comerciais. Não quer dizer que de vez em quando, mas muito raramente, tipo de meio em meio ano, não goste de visitar estes espaços com alguma amiga ou família, mas se eles não existissem acreditem que não iriam fazer qualquer falta na minha vida. Ao contrário daquilo que muitos meninos se queixam, que ir as compras com a namorada pode ser um pesadelo porque diz que vai só comprar um vestido e vai demorar meia hora... e depois demora 3horas, compra o vestido e mais 30 peças de coisas que viu e se calhar nem precisava, e ainda aproveitou para arranjar o cabelo e as unhas. Neste caso eu seria mais como um gajo, entrar, ir à loja, experimentar o que quero comprar só mesmo para confirmar que vale a pena, pagar e ir embora. Montras? Não me afectam nem um pouco.

Para muita gente isto parece praticamente impossível ou até anti-feminino (ave rara diga-se), mas vamos lá pensar o que realmente são estes centros sem ser um bloco de 4 paredes ao alto, alguns com alguns corredores todos geométricos, com sorte com um jardim para se "passear", com lojas enfiadas lá dentro e apinhado de "familias felizes" do macdonalds que passeiam por ali como se estivessem num parque, num jardim ou a passear à beira mar! Sem falar nas milhares de câmaras disfarçadas que curiosamente até nos esquecemos delas, que nos vigiam a todo o momento, como se fossemos cometer algum crime dentro daquele espaço que, por si só, já é uma autêntica prisão!



Isto não quer dizer que odeie fazer compras, afinal de contas, quem não gosta de ter coisas nova, nem que seja um simples livro ou cd, não tem de ser propriamente roupa, visto estes espaços darem-nos a "escolher" o que podemos comprar, mas o que eu realmente gosto é de lojas de rua, coisa que cada vez me parece uma coisa rara... isso sim dá gosto, uma pessoa vai passear e por acaso até vê uma coisa gira e vai ver e volta pro ar livre... notam a diferença? Não são corredores e corredores dissimulados, com música de elevador para disfarçar as conversas que se tem e controlar o que se faz ou deixa de se fazer. Mesmo assim há dias em que simplesmente odeio ir a estes espaços só mesmo pelas pessoas que se encontram, e claro está, não estaria a escrever este texto se não tivesse um mini-episódio para contar.

Aqui há dias estava eu a experimentar uma roupita, só para conferir que ficava bem, quando oiço um casal a conversar... até nem teria ligado, caso os dois não tivessem decidido separar-se, ou seja, ele ficou num provador atrás de mim, enquanto ela ficou no da frente. Ora, estando eu no meio, senti-me basicamente envolvida no processo de dialogação. Pelo timbre de voz e pelos comentários viu-se logo que o moço era alto e de uma classe com cunhas, principalmente quando grita "porque é que fazem calças para anões?". Até me senti ofendida naquele momento porque cada vez que tenho que comprar calças tenho que pagar mais 2euros para me tirarem metade do tecido... coitado, o homem era pobre, por isso tiraram-lho logo para não ter de pagar... mas a coisas piorou quando se ouve um estrondo, seguido de um grito de "princesa" (sim, foi o gajo que gritou). Claro que eu pensei que ele tivesse levado com o cabide em cima, o que era muito bem feito depois daquele grito insultuoso, mas depois da namorada atenciosa (que nem saiu do seu provador para ir lá ver), perguntar o que se tinha passado, ele volta a gritar, visivelmente abalado "o meu telemóvel caiu ao chão". Foi horrível não poder mandar uma gargalhada daquelas dentro do provador, porque aí sim, teria de estar envolvida naquilo mais do que (infelizmente) já estava.


A verdade é que neste tempo todo já eu tinha experimentado a roupa umas vinte vezes, mas queria ver até que ponto é que aquele casal ia provar ser mais um típico casal de broncos que frequentam estes centros. É então que ela grita "Acho que engordei...", claro que engordas-te, aposto que acabaste de sair do macdonalds... e claro, o namorado como também é um fofo limita-se a continuar a choramingar por o telemóvel ter caído ao chão... bom, a verdade é que rapidamente também me fartei de estar ali e fiz questão de pagar e vir embora e deixar aquela gente ali dentro a discutir de um provador para o outro. (Pior do que isto, são as meninas do colégio inglês que vão em grupo experimentar roupas para sair à noite, que na verdade só tiram foto para meter no facebook e dizer que têm roupa nova!)


Conclusão da história? Não há... simplesmente acho que era mais saudável ir "passear" para outros lados e não ter de aturar estas "famílias felizes" todas enfiadas no mesmo espaço, considerando aquele passeio como "convívio familiar" e que cada vez tenho mais saudades de cidades pequenas onde estes centros são raros e onde as lojas de rua ainda fazem parte do quotidiano!

sábado, abril 14, 2012

Uma noite do "Caralho"

Quem me conhece sabe que não tenho grandes (ou até nenhum) problema em dizer "asneiras", principalmente quando estou por Lisboa, onde toda a gente parece ter os ouvidos mais sensíveis no que toca a palavrões grosseiros e grotescos! Mas sendo uma semi-transmontana como sou, acabam sempre por me desculpar essas "asneiras" e o melhor de tudo é que nem quero saber se o fazem ou não. Se as quiser dizer, digo e o que não entendem é que não é por grosseirismo ou má educação, mas sim por diversão! Não há nada melhor do que mandar uma caralhada, porque sim, para chocar e para fazer rir e o que muitos não se apercebem é que, ao cair da noite, são os pudicos que as estão a dizer e sou eu que me estou a rir deles. Talvez um dia percebam que um "caralho" ou um "fodasse" não passa de um desabafo ou de uma pontuação no fim ou a meio da frase e que muitas vezes uma "merda" pode ser algo extremamente bom! E é nisso que eu, cada vez mais invejo os espanhóis, que usam e abusam desses termos grosseiros sem pudor, em público e na própria televisão, enquanto nós até encobrimos estes dizeres do nosso próprio dicionário, quando é algo que faz parte da nossa língua e linguagem diária (não para todos, é certo, mas transmontano e nortenho que se prese, usa diariamente)! Só mostra como ainda temos uma mente tão mesquinha perante nós próprios.

Mas fora de pensamentos e opiniões à parte, sem duvida que uma das melhores noites que tive foi cheia e repleta de caralhadas. Nunca pensei que alguém pudesse dizer tantas "asneiras" como eu digo quando me quero divertir, o pior é abusar disso e acabar todas as frases com um belo de um "caralho". Não foi um "caralho" qualquer, mas sim sentido e com muitos significados, ao ponto de a minha prima ser logo identificada como sendo de Argozelo pelo senhor segurança da discoteca Havana! Isto sim, é saber falar caralho! Ao inicio toda a gente pensou que a minha prima estava a ser agressiva, uma vez que estava a conhecer os meus amigos pela primeira vez e digamos que começar logo com um "O que é que queres caralho?" quando lhe pedem para tirar uma fotografia, assusta qualquer um, mas com o passar da noite, toda a gente percebeu que era apenas um estado de espírito. O Samuel ainda teve duvidas e perguntou-me "Ouve lá, a tua prima aprendeu hoje a dizer caralho foi? É que nunca ouvi ninguém dizer tantas vezes caralho numa só noite!", a verdade é que até eu acabei por achar que isso tinha acontecido, porque ela parecia mesmo uma criança que tinha aprendido uma nova palavra e a passou a repetir durante todo o santo dia!

Pior do que isto é ter mais crianças do nosso lado, com idade para ter juízo a ajudar à festa e a incentivar a caralhada. "Bota aí minha pomba, é isso mesmo caralho" e claro, a pomba não se calou toda a noite... e ainda bem, porque nunca me ri tanto como nessa noite. A pomba da minha prima estava completamente absorvida pelo espírito transmontano e fez questão não apenas de o demonstrar mas de o partilhar com toda a gente. E lá está, se ela não tivesse tido a excelente ideia de começar uma maratona de caralhadas pela noite fora, até ás seis da manhã, agora não teria nada de interessante para partilhar, nem uma história para contar aos filhos dela para a envergonhar e certamente que a noite teria sido bem mais chatinha. Por isso, já sabem, sempre que o vosso dia ou a vossa noite esteja a ser fraca ou enfadonha, basta expor esse desapontamento com umas belas de umas caralhadas, que tenho a certeza que isso passa!

segunda-feira, março 19, 2012

Dia do pai!

Ao contrário do previsto, não venho aqui falar do "dia do pai" mas desenrolar a listagem daquilo que eu odeio no meu...

- Odeio quando canta no banho e estraga as músicas que estou a ouvir no momento;
- Odeio quando se arma em hipocondríaco e lê os rótulos dos medicamentos vezes sem conta;
- Odeio quando deixa um livro por lê e quando acaba um é porque saltou metade das páginas;
- Odeio quando compra um CD novo, o põe a tocar na sala e vai pro jardim passear;
- Odeio quando me acorda de forma inesperada e eufórica, como se o dia fosse lindo e não vai ser porque já me deixou mal disposta;
- Odeio quando me quer proteger de tudo, sem perceber que é bom errar para poder aprender e crescer;
- Odeio quando não me deixa fazer as coisas sozinha, com medo que não as saiba fazer;
- Odeio quando se arma em pintor e se pinta mais a ele do que ao objecto que vai pintar;
- Odeio quando fala com um ar sério e afinal está a falar normalmente;
- Odeio quando me pede para cortar o cabelo quando estou a fazer outras coisas, independentemente de serem importantes ou não;
- Odeio que só saiba ir passar para o centro comercial;
- Odeio a forma como faz as rotundas sem sinalizar as saídas;
Odeio quando me abraça e me dá beijinhos como se ainda fosse uma criança;
- Odeio quando só sabe ver canais de informação e dá demasiada importância à crise;
- Odeio que se tenha esquecido que as coisas simples da vida são as mais importantes e não vale a pena complicar o que é simples.
- Odeio que me peça um relatório cada vez que vou sair e quando chego da saída;
- Odeio saber que já se tenha esquecido que não é a idade que nos torna velhos, mas sim a nossa maneira de estar na vida;

... poderia enumerar muitas mais coisas que odeio, mas a verdade é que, ainda assim, para mim, continua a ser e vai sempre ser o melhor pai do mundo e prova disso não são as suas qualidades mas sim os seus defeitos que o tornam único e fazem dele o meu pai! ADORO-TE MUITO!

sábado, março 17, 2012

O meu Bolinhas!

Que saudades tenho eu do meu bolinhas. Certamente será um nome um pouco estranho para se dar a um carro, ou não fosse este nossa mania de querermos dar nomes às coisas que nos são mais queridas, mas uma vez que o meu carrinho tem um aspecto a dar pro redondo, não é muito grande e é altamente fofo (o que será um carro fofo?), baptizei-o com um nome igualmente fofinho e querido: bolinhas! Depois há aquelas mentes destrutivas, que não vale a pena dizer os nomes, não é menino Rui e menino Daniel?, que preferem chamá-lo de charuto, sabe Deus porquê. Para mim tudo se resume a inveja do meu bolinhas ser como é, e não fosse ele azul mas sim preto, seria acima de perfeito!

É estranho não o ter aqui sempre à mão para dar umas voltinhas, ir até à cidade fazer compras, ir ter com os amigos para beber um café, conversar e ver um filme (e só o facto do bolinhas estar à porta dos amigos já era sinal que o amigo era mais do que isso...), ir até ao café nas noites geladas de inverno e ligar a sofagem no máximo até voltar a ser verão (há pois, ar condicionado é só para quem pode e num carro em segunda mão não podemos ser esquisitos), ir até ao santo dar uma volta ao final da tarde para fazer umas corridas ou ao fim da noite para o dia seguinte ser melhor. Embora não tenha saudades nenhumas das manhãs geladas transmontanas, tenho saudades de ver o meu bolinhas azul ficar completamente branco por causa das geadas fenomenais que caiam durante a noite e lá tinha eu de ficar com os dedos igualmente congelados ao retirar algum desse gelo com as mãos. Saudades dos passeios com as amigas e as conversas e desabafos dentro do bolinhas... e o mundo podia estar a desabar lá fora ou até mesmo dentro de nós, mas ali dentro, tudo estava bem.


E o que realmente me faz falta são aquelas viagens nocturnas depois do curso, onde a música era a minha grande companheira e me ajudava a passar por entre nevoeiros cerrados ou por uma estrada deserta com o céu estrelado por cima de mim, levando-me igualmente para lugares do meu pensamento, que talvez nem deviam ser explorados, mas sem dúvida que eram 20/30 minutos de reflexão e de sentimentos que me ajudavam a suportar tudo o que naquele tempo parecia impossível ou simplesmente improvável. Se não fosse o meu bolinhas, certamente que esses momentos não teriam acontecido e essas viagens não teriam sido as mesmas.

E claro, a única coisa que falta mencionar são as magnificas operações stops dos senhores guardas que teimavam em mandar parar o meu bolinhas. Em seis anos de carta e cinco a conduzir com o meu carrinho, NUNCA mas mesmo NUNCA fui mandada parar aqui pelo Estoril ou por onde quer que fosse... bastou-me ter ido passar 5 meses a Argozelo para parar em 7 operações stops, sendo já mais do que conhecida pelos senhores guardas que teimavam em mandar a boca "a menina anda perdida cá para cima", como se tivessem alguma coisa a ver com a minha vida. Tirando este inconveniente, agora só resta esperar para regressar à terrinha e voltar a conduzir o meu bolinhas e viver novas aventuras com ele!

sábado, fevereiro 25, 2012

Comédias Românticas

Ultimamente como tenho muito tempo para não fazer nenhum durante as noites frias, acabo sempre por ver um filme e escolho sempre uma Comédia Romântica por um motivo muito simples: consegue englobar três géneros cinematográficos num só - Comédia, Drama e Romance. Este shot triplo parece-me a combinação perfeita para passar um serão agradável em frente à televisão, acompanhado de umas pipocas ou um cappuccino, enquanto nos enroscamos nas mantas e sonhamos, por momentos, em viver uma história assim, ou pelo menos encontrar alguém que nos proporcione uma relação com momentos cómicos, alguns dramas e muitooooo romance!

Como qualquer pessoa que, quando vê muitas vezes a mesma coisa, começa a reparar em pequenos pormenores, eu encontrei um pormenor muito curioso na maioria dos filmes deste género. Não sei se mais alguém reparou nisso alguma vez, mas muitas das vezes, quando são os meninos que andam atrás delas e elas não os podem ver à frente, maioritariamente por terem passado por traumas anteriores, eles ficam sempre fascinados por pequenas coisas que elas fazem para passar o tempo. Normalmente, essas coisas, acabam por ser actividades artísticas - pinturas, desenhos, escrita, fotografias, esculturas - ou um simples trabalho de voluntariado numa associação da pequena cidade. Observamos então uma luta interior da personagem feminina que acaba sempre por trabalhar nalguma coisa ou em algum sitio que não lhe agrada e pouco é o tempo que tem para se dedicar a esse passatempo, ainda menos quando se começa a envolver com o tal menino que começou por detestar. É então que a discussão surge, quando tudo parece encaminhado, ou o antigo amor vem inesperadamente lixar tudo e vivemos uma nova luta em conjunto com a personagem feminina que questiona tudo o que sente, tudo o que viveu antes e depois de conhecer o moço... e surgem os elogios ao seu trabalho artístico ou de voluntariado e ela passa o tempo todo a dedicar-se a essa verdadeira paixão, sem nunca se perceber que um novo amor alimente essa mesma paixão: o moço!


Não vale a pena falar nos finais felizes que acontecem em 99% das vezes neste filmes, porque não sairia daqui, mas dei por mim a pensar não só nas vezes em que realmente fazemos aquilo que gostamos e até somos bons (mas ninguém o reconhece porque a sociedade, cada vez mais, renega a criatividade do ser humano) mas também, quantas vezes temos alguém do nosso lado que nos dá valor por aquilo que sabemos fazer e nos incentiva a não desistir do que nos faz feliz? Quantas vezes não desistimos de fazer algo que nos apaixona e nos dá prazer porque achamos que não somos suficientemente bons, quando apenas precisamos de alguém que nos chame a atenção para o nosso talento e nos alimente a sede de sermos sempre bons naquilo que sabemos fazer, independentemente de não fazermos algo que nos satisfaça a 100%?

Foi por isso mesmo que decidi expor este pequeno pormenor e para dizer a todas as meninas e meninos que tenham alguém do seu lado que aprendam a dar valor a pequenos pormenores de quem está do nosso lado, porque são esses pormenores que tornam essa pessoa única e realmente especial para nós e, muitas vezes, nem sempre o afecto é a única demonstração de amor que podemos dar a alguém, mas sim saber dar valor ao que sabem fazer, sem medo de o dizer... porque um dia, pode ser tarde de mais! Para aqueles que não têm ninguém que lhes dê valor a esses pormenores, fiquem de olho e ouvido bem aberto porque quando essa pessoa chegar, aposto que o saberão não pela sua aparência ou simpatia, mas pela demonstração em tomar atenção a pormenores superiores à nossa própria aparência ou simpatia.

Aprende a dar valor a quem nos retribui o nosso próprio valor!

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Viagens Expresso

Nunca andei tanto de transportes, nomeadamente na Rede Expresso, como nestes últimos meses. Nunca amaldiçoei tanto as curvas de Macedo e de Mirandela mas pior do que isto, só mesmo a 20 mil rotundas de Viseu! Uma pessoa, mesmo que não queira, enjoa ou no mínimo fica mal disposta de andar sempre da direita para a esquerda... quando podia ir em frente!

Bom, mas o que dei por mim a observar com olhos de ver, foi mesmo o "comportamento humano" dos típicos "bimbos" que se encontram nestas viagens:

Bimbo Nº1 - Aquele que chega a gritar "ONDE É O MEU LUGAR?" como se alguém realmente estivesse minimamente interessado em saber qual é o lugar do senhor/a ou como se tivéssemos o bilhete do dito cujo na mão para o poder ajudar.

Bimbo Nº 2 - Normalmente costumo estar eu nesta categoria, que são os que de forma (mais ou menos) simpática perguntam "Sabe onde estão os números dos lugares?" basicamente porque o pessoal já entra na camioneta feita uma barata tonta porque tem mesmo que se sentar naquele lugar, não venha algum/a cota que tenha acordado com os azeites e depois nos queira matar por lhe termos roubado o lugar.

Isto leva-nos ao Bimbo Nº3 - Aqueles que chegam, normalmente acompanhados do marido/mulher e que, depois de percorrerem o autocarro de trás para a frente, duas ou três vezes, finalmente encontram o seu número, confirmado outras duas ou três vezes e, depois de verem que os seus lugares estão ocupados, armam barracada e gritam: "ESSE LUGAR É MEU"! Lá fica o autocarro em alvoroço porque o homem que traz a esposa e o garrafão na mão, quer-se sentar no seu número e nem o próprio motorista consegue controlar as feras e tem que mandar o jovenzinho lá pro fundo do autocarro, porque entretanto descobriu-se que ESTÁ PRATICAMENTE VAZIO!

Bimbo Nº4 - É basicamente um bimbo nº 3 mas num estado mais avançado, porque assim que entra grita: "ONDE É O NÚMERO 20?". Este/a senhor/a já demonstra que está batido/a nestas coisas, principalmente quando acrescenta "EU PAGUEI ESSE LUGAR!", como se tivesse comprado um lugar VIP nalgum evento desportivo. Deixemos então o/a senhor/a desfrutar do seu assento, mas vamos rezar que não tenha sono.

Bimbo Nº5 - São os senhores que, apesar das bimbalhices anteriores, vêm com sono e querem dormir, coitados. Para isso existe um botão que inclina o banco para trás, mas infelizmente não têm retrovisor para ver que está gente atrás que, secalhar também está cansado e quer dormir mas sabe fazê-lo sem aborrecer e sem entalar ninguém.

Bimbo Nº6 - Confesso que são os que mais me incomodam. Chamem-me anti social, mas já não chega ter de fazer uma viagem de 7 horas, não me vai apetecer estar a falar com um estranho durante essas 7 horas... CALEM-SE! Não quero saber com quem o cão ficou, se as couves vão bem la em baixo ou se as alheiras vão descongelar! São 7 horas a ouvir histórinhas da terrinha, que eu até gosto, mas não numa viagem tão longa e praticamente sem paragens!

Bimbo Nº7 - Meus amigos, se este senhor não estiver no vosso autocarro, seja ele para onde for, estão não estão em portugal ou algo está errado. Tem de haver um típico senhor com a face rosada e com um cheirinho a vinho, que vai comentando as noticias e percebe sobre trânsito melhor do que ninguém. É o típico senhor que normalmente faz questão de ir sentado ao lado do motorista (ao menos não é complicado no que toca ao seu número escrito no bilhete) e de vez em quando manda umas piadas para toda a gente ouvir.


Como podem ver, viajar de autocarro pode ser uma aventura nesta terra mas desde que não seja um verdadeiro pesadelo, até se pode passar bem... principalmente no que toca às paisagens! Boas Viagens!