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domingo, setembro 06, 2015

Alguma vez...

Alguma vez amaste com medo de errar?
Alguma vez te deixaste apaixonar?
Alguma vez conseguiste mandar nos teus sentimentos?
Alguma vez te entregas-te de olhos fechados e deixaste o tempo andar?

Alguma vez sofreste por amor?
Alguma vez sorriste quando só te apetecia chorar?
Alguma vez sonhaste livremente?
Alguma vez caminhas-te ao luar?

Alguma vez pediste um desejo?
Alguma vez pensaste em mim?
Alguma vez roubaste um beijo?
Alguma vez esperas-te um sim?

Alguma vez te fiz sorrir?
Alguma vez te fiz Feliz?
Alguma vez falhei contigo?
Alguma vez houve algo que eu não fiz?

Alguma vez cometeste uma loucura?
Alguma vez fizeste algo que não fizeste por mais ninguém?
Alguma vez beijaste no meio da estrada deserta?
Alguma vez gritas-te o nome de alguém?


Alguma vez perdeste o sono?
Alguma vez tiveste vontade de fugir?
Alguma vez eu fui o teu sonho?
Alguma vez me deixavas partir?

Alguma vez houve um abraço que te acalmou?
Alguma vez disseste o que não querias?
Alguma vez te deram um beijo na testa?
Alguma vez alguém curou as tuas feridas?

Alguma vez amaste de mais?
Alguma vez roubaram-te o coração?
Alguma vez pensaste em desistir?
Alguma vez foi só paixão?

Alguma vez deste a mão para te sentires seguro?
Alguma vez fizeste promessas?
Alguma vez tu foste o segundo?
Alguma vez te deram flores como essas?

Alguma vez viste o brilho de um olhar?
Alguma vez viste uma estrela cair?
Alguma vez te fartas-te de tentar? 
Alguma vez estivemos juntos a dormir?

Alguma vez brincas te com o fogo?
Alguma vez provocas-te alguém?
Alguma vez tudo foi só um jogo?
Alguma vez partiste sem dizer nada a ninguém?

Alguma vez amaste intensamente?
Ficaste sem ar ou sem chão com o fim?
Alguma vez será para sempre?
Meu amor, diz me que sim!


Ana de Quina, 2015

sábado, março 22, 2014

Maria e José

Embora não seja muito a minha praia, ao saber que iria haver um concurso de poesia no concelho de Vimioso, decidi participar. O que tinha a perder? Nada. O que tinha a ganhar? Bom, pelo menos teria participado e permitido que houvesse interesse por parte dos organizadores na possibilidade de voltar a realizar mais eventos culturais como este, que escasseiam em demasia nesta região. Só por isso, já valia a pena participar. Mas Quiseram dar-me uma prenda a mais no dia dos meus anos e que ganhasse o primeiro prémio do concurso, então assim sendo, aqui fica o poema que me proporcionou essa vitória. Contudo, espero que comecem finalmente a olhar para estes eventos com outros olhos e a dar oportunidades a novos talentos.



Maria e José

Maria era o seu nome. Algo simbólico e de milagroso, como aquele dia de Agosto.
Passeava despreocupada, livre e desimpedida, carregando o seu desgosto.
Também se podia chamar Madalena, por ter chorado dias a fio
Um amor que tinha acabado em palavras, mas não em gestos que ela não viu.
Ainda assim, não era Madalena, era apenas Maria
E carregava o coração coberto de espinhos… E ainda assim, sorria!

Era dia de festa e naquele momento, por momentos, esquecia.
Recordava outras tardes, outras festas, outras alegrias.
Conseguia ainda sentir aquele amor, mesmo não estando presente.
Via-o sorrir para si… O seu José ou o seu Deus….E foi aí que o milagre se deu!

No meio da multidão, uma aparição.
Ali estava ele, de forma inesperada,
Da mesma forma que tinha desaparecido e o amor acabava.
No seu olhar, José carregava o erro da sua ação,
O anseio de apagar tudo, desejando o seu perdão.
Perdão que não tardou a chegar dos braços de Maria,
Que depressa o abraçou… o seu José… o seu amor… a sua vida!

Maria sonhava agora com um futuro que já dava como perdido.
Sentia-se como aquele rio que percorria o seu caminho,
Atravessando fronteiras, enfrentando qualquer perigo.
José viu a mágoa de Maria mergulhada num mar de alegria,
E a saudade daquele sorriso já há muito que o andava a matar.
Sabia o mal que tinha feito, carregando a sua culpa.
Mas a sua companhia fazia-o voltar a sonhar.

Madalena não mais podia ser o seu nome.
Não sabia quando poderia voltar a chorar, se algum dia José voltaria a partir.
Sabia apenas que queria voltar a aproveitar os dias que aclamavam por vir.
Naquele dia o sol brilhava e a alegria reinava,

E Maria e José voltavam apenas a sentir o quanto ambos se amavam.

Ana de Quina F.